Variações e Fuga sobre um tema de Handel, op. 24

Johannes Brahms, Hamburgo, 07 de Maio de 1833 / Viena, 03 de Abril de 1897

[1861; c.30min]

  • A variação é uma transcrição criativa feita a partir de um tema pré-existente ou criado propositadamente para o efeito. O compositor desenvolve o tema várias vezes, transformando cada um dos componentes desse mesmo tema (ritmo, harmonia, modo, etc.) numa das variações, segundo a sua linguagem musical e as suas ideias estéticas.

    A obra para piano de Johannes Brahms inclui seis conjuntos de variações: duas sobre temas originais e quatro sobre temas de Schumann, Handel, Paganini e Haydn. As Variações e Fuga sobre um tema de Handel, foram compostas em Setembro de 1861 para dedicar e oferecer à sua “querida amiga” Clara Schumann de presente no seu 42º aniversário. Coube à dedicatária da obra a honra de a estrear publicamente, três meses mais tarde, num recital em Hamburgo no dia 7 de Dezembro.

    As Variações e Fuga sobre um tema de Handel incorporam e reinterpretam uma série de alusões musicais históricas. O tema escolhido por Brahms é a Aria da Suite para cravo em Si bemol, HWV 434, de Handel, que também serviu de base ao compositor barroco para escrever as cinco variações que formam o terceiro andamento da suite. As referências brahmsianas à música barroca continuam nas ornamentações da variação 1, que lembram Couperin, nos cânones das variações 4, 6 e 16 e no ritmo siciliano da variação 19. A reminiscência de Beethoven acontece na fuga final. O compositor de Bona encerra as 15 Variações Heróicas (op. 35)e as 32 Variações Diabelli (op. 120)com uma fuga. E, tal como acontece nas obras de Beethoven, o tema da fuga de Brahms é uma derivação contrapontística do tema original. Mas, enquanto em Beethoven as fugas finais representam uma nova forma de tratar musicalmente o tema, para Brahms a fuga assume-se como o culminar virtuosístico da obra.

    Praticamente todas as variações estão na tonalidade de Si bemol maior; exceptuam-se três (a 5, a 6 e a 13) que estão no modo menor e uma (a 21) que está na relativa menor (Sol). Esta inesperada manutenção da mesma tonalidade em quase toda a obra confere-lhe uma poderosa unidade estrutural e permite ao compositor não só efectuar as alusões históricas já referidas, como também expressar a sua própria voz musical, como a progressão cromática e as gradações dinâmicas da variação 19, a melancolia do folclore húngaro na variação 13, a plasticidade melódica da variação 5 e o ritmo de fanfarra das variações 7 e 8.

     


    Ana Maria Liberal, 2017