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  • Tema: Andante

    Var. I: Poco più animato

    Var. II: Più vivace

    Var. III: Con moto

    Var. IV: Andante con moto

    Var. V: Vivace

    Var. VI: Vivace

    Var. VII: Grazioso

    Var. VIII: Presto non troppo

    Finale: Andante

     

    Fotografias de época do apartamento onde Brahms residiu, no final da vida, mostram que tinha no seu quarto um busto em porcelana do compositor Joseph Haydn. Esta colocação privilegiada sugere uma ligação mais próxima entre os dois criadores do que a pesquisa musicológica assume, ao estabelecer sobretudo paralelos com Beethoven ou Schumann em relação à produção de Brahms. A influência de Haydn, manifestada através da inspiração de temas e técnicas em algumas obras de Brahms, revela-se de forma mais directa nos títulos de duas obras que compôs: as Variações sobre um Tema de Haydn para 2 pianos op. 56b, e a sua versão orquestral, op. 56a, com o mesmo título. Ironicamente, a obra a que Brahms recorreu para escolher o tema para estas Variações, o Divertimento em Si bemol maior (Hob. II: 46) para instrumentos de sopro, não terá sido composta por Haydn. Embora não haja certezas quanto à autoria deste Divertimento, é hoje consensual que não foi escrito por Haydn, mas essa informação não estava disponível na altura de composição das Variações para orquestra e para 2 pianos de Brahms, que foram criadas no mesmo período, por volta de 1873. O tema escolhido por Brahms inicia o segundo andamento do Divertimento, com o título “Chorale St. Antoni”. Brahms baseou as suas Variações para orquestra nesta melodia, estruturando a obra numa sequência de Tema, 8 variações e Finale.

    Numa carta enviada em 1856 a um amigo, o violinista Joseph Joachim (1831-1907), Brahms referiu algumas das suas ideias acerca da variação, um género de longa história na produção instrumental erudita: “De vez em quando penso sobre o formato de variação e acho que devia ser mais estrito e puro. […] Acho, no entanto, que os Modernos (nós os dois!) frequentemente (não sei a expressão correcta) complicamos o tema. Retemos ansiosamente toda a melodia, mas não a manipulamos livremente. Não criamos nada de novo com ela, pelo contrário, sobrecarregamo-la. Torna-se então irreconhecível”.

    Estas preocupações de Brahms, quanto à procura de um equilíbrio criativo entre uma ligação perceptível a um tema base e um nível adequado de complexidade no seu tratamento em variação, estão reflectidas nas técnicas aplicadas nestas Variações. O tema não volta a ser reiterado de forma literal após a sua exposição inicial pelos instrumentos de sopro, com um acompanhamento em pizzicato nos violoncelos e contrabaixos. As Variações, no entanto, mantêm a estrutura deste tema, que é constituída por duas secções, repetidas, de 10 e 19 compassos. Em algumas das suas variações, Brahms mantém a repetição literal das secções já presente no tema, mas apresenta também variações (3ª, 4ª, 5ª e 8ª) com repetições diferenciadas; ou seja, constrói nestes casos novas variações a partir de material já de si variado. O uso desta estrutura fixa e o facto de a sequência harmónica do tema não ser significativamente alterada potenciam a ligação ao mesmo, já que, no resto da obra, Brahms não recorre à citação literal do tema. Entre as técnicas empregues pelo compositor, e que constituem o factor de novidade e variação em relação ao tema, destacam-se o uso de tempos contrastantes nas diversas variações, a ornamentação através da modificação de padrões melódicos e rítmicos (um recurso presente em todas as variações), a utilização do modo menor na 2ª, na 4ª e na 8ª variação, o recurso a diferentes tipos de articulação (como o stacatto da 5ª variação), a sugestão do carácter de dança na 6ª e na 7ª variação, ou o uso de técnicas polifónicas na 8ª variação e no expansivo Finale. Este Finale apresenta também a particularidade, para além de não seguir a estrutura fixa do tema, de ter como base uma sequência melódica de tessitura grave com 5 compassos, repetida obstinadamente durante quase toda esta secção. O procedimento aplicado aqui por Brahms remete para uma técnica histórica de variação, a passacaglia, e podemos aqui vislumbrar uma reverência do compositor à história de um género que o fascinou.

     


    Helena Marinho

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