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  • 1. O mar e o barco de Sinbad –

    2. A história do príncipe Kalender

    3. O jovem príncipe e a princesa

    4. A festa em Bagdade; O mar; Naufrágio sobre os rochedos

    Rimski-Korsakoff, considerado um genial orquestrador e membro do chamado Grupo dos Cinco, foi um dos maiores compositores russos de todos os tempos. Entre as suas obras mais célebres contam-se quinze óperas, de onde se destaca um trecho tão célebre quanto “O voo do moscardo” de O conto do czar Saltan, ou composições orquestrais como Capricho Espanhol e Xerazade. Este famoso poema sinfónico foi inspirado na compilação de contos populares árabes As mil e uma noites e constitui um exemplo superlativo da representação do orientalismo na música orquestral. No entanto, e apesar dos títulos dos seus quatro andamentos serem sugestivos e indicativos de episódios da famosa narrativa, a intenção do compositor foi, mais do que contar histórias específicas, criar atmosferas que os ouvintes associassem ao Oriente e a um sentido de aventura fantástica. Fê-lo através do rico colorido orquestral e de escalas oriundas da música oriental num sentido lato.

    Nas notas de programa para a estreia de Xerazade, o próprio compositor escreveu: “O sultão Xariar, convencido de que todas as mulheres são falsas e infiéis, jurou matar todas as suas mulheres após a noite de núpcias. Mas Xerazade conseguiu salvar a vida entretendo o sultão com contos fantásticos durante mil e uma noites. Tomado por uma enorme curiosidade, o sultão adiou a execução noite após noite, acabando por repudiar a sua sangrenta promessa.”

    O sentido orientalizante da música está presente desde o primeiro tema que representa o sultão, um motivo descendente com base na escala de tons inteiros. É num solo de violino acompanhado pela harpa que nos surge o tema de Xerazade, a heroína da história. A obra tem diversos solos para o violino, momentos que retratam a contadora de histórias e que servem como elemento unificador. Estes dois temas dominam o primeiro andamento, intitulado O mar e o barco de Sinbad, onde é também representada uma agitada tempestade. O segundo andamento é inspirado na lenda de um príncipe que se disfarça de vagabundo. O terceiro andamento, de um intenso lirismo, é marcado por dois temas que representam, respectivamente, um jovem príncipe e uma princesa, sendo que uma cadência para o violino a solo representa Xerazade contando a sua história. O último andamento começa com a alternância dos temas do sultão e de Xerazade e é o mais variado, recolhendo motivos dos andamentos anteriores. O próprio título (A festa em Bagdade; O mar; Naufrágio sobre os rochedos) reflecte essa diversidade. A obra conclui com o tema de Xerazade num registo sereno em sintonia com o final feliz da versão literária.

    A música de Xerazade foi estreada em 1889, em São Petersburgo, e foi coreografada por Michel Fokine para uma produção dos Ballets Russes na Opéra Garnier, em Paris, em 1910.


    Rui Pereira, 2014

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