Esclarecimento do Conselho de Administração da Fundação Casa da Música

A TODOS OS CIDADÃOS DO PORTO E DO MUNDO QUE GOSTAM DA CASA DA MÚSICA

A Fundação Casa da Música (FCdM) foi instituída pelo Estado Português e pelo município do Porto em 2006 na sequência da promoção governamental da construção de um edifício, cujo projeto foi decidido em 1998 no quadro da candidatura do Porto a Capital Europeia da Cultura 2001 e beneficiou de importante volume de financiamento proveniente de fundos estruturais da União Europeia; um edifício que é “obra de autor do consagrado arquiteto Rem Koolhaas” e “património arquitetural único no nosso país”, pretendendo “dotar o País, e em especial a região Norte, de um novo equipamento especialmente vocacionado para a música”, “dedicado a apresentações públicas de diferentes tipos de música”, funcionando “como polo de atração e território de músicos nacionais e estrangeiros, amadores, investigadores, escolas e criadores” e afirmando-se “como um lugar de contacto privilegiado entre Portugal, a Europa e o resto do mundo, inserindo-se nas redes internacionais da arte da música e dos eventos musicais”, sempre citando o preâmbulo do Decreto-Lei nº 18/2006 de 26 de janeiro.

 

À época, o Governo optou, em boa hora cremos nós, pelo “modelo fundacional baseado na parceria entre Estado, autarquias e iniciativa privada” como a forma mais adequada para o desenvolvimento do projeto e assim “assegurar o cumprimento dos objetivos de acolhimento das atividades musicais e o desenvolvimento de valências próprias de produção, dando particular atenção à relação com a comunidade e à formação de públicos”. Uma opção com a qual nunca se conformaram aqueles poucos que, desajustadamente em relação às dinâmicas ganhadoras das sociedades modernas e abertas, diabolizam o contributo dos cidadãos e agentes privados e do mérito para preferirem trancar-se sob o manto protetor de proclamações em nome de um enclausuramento na defesa serôdia de um conceito de esfera pública alegadamente igualitário mas realmente produtor de focos de inoperância, inflexibilidade e injustiça.

 

Os anos passaram e o projeto foi sendo concretizado através dos frutos e realizações que aí foram e vão estando, sempre à custa do esforço de tantos e tantos que, dentro e fora, por eles deram o melhor ao seu alcance: trabalhadores e músicos, fundadores e administradores, patrocinadores e governantes, frequentadores e visitantes. E não, nem tudo correu sobre rodas nestes já mais de dezassete anos de intensa atividade; porque nem sempre tudo evolui sem escolhos em caminhos desafiantes e difíceis como são os do lançamento de um projeto essencialmente marcado pela colaboração e inovação social e por preocupações de sustentabilidade e serviço público. Mas, e não obstante, estamos certos de que a maioria de todos quantos foram passando pela FCdM nas suas diversas qualidades ― designadamente, aqueles que por cá desempenharam cargos de responsabilidade nos seus Órgãos Sociais ― o fizeram na sua melhor boa fé de interesse pelo projeto e de vontade inabalável no sentido de o ver crescer e singrar.

 

Vem tudo isto a propósito de um conjunto de acusações que têm sido dirigidas ao atual Conselho de Administração, em funções desde inícios de julho de 2021 e herdeiro dos impactos tremendos de uma pandemia agressiva e cruel. Constituído por sete pessoas com vida pessoal e profissional própria e amplamente conhecida na Cidade, este Conselho de Administração recusa-se a aceitar, no seu todo ou na sua individualidade, as lições de capacidade de gestão, conhecimento cultural e relacionamento laboral que alguns pseudo-arautos exclusivos do bem lhe pretendem implicitamente dar no meio de um arrazoado nunca explicitado de declarações não provadas, de tratamentos insultuosos ou até de puras inverdades. Tanto mais quanto seis dos referidos sete administradores desempenham os seus cargos em completa situação não remunerada, para tal encontrando tempo que retiram das suas funções noutras empresas ou instituições ou concedendo à FCdM boa parte do seu potencial tempo de lazer.

 

E como quem não se sente não é filho de boa gente, vimos publicamente repudiar as insinuações de represálias, discriminações, incumprimentos legais e ausências de diálogo que covardemente têm sido lançadas para a praça pública numa prática manipuladora que sentimos menos dirigida a nós próprios e mais orientada para resultados desviantes e movidos por agendas de duvidosa dignidade e escassa legitimidade democrática. Aos leais colaboradores da FCdM e aos artistas que nela residem, ao público que a frequenta e às escolas e instituições sociais com que interage, aos fundadores e patrocinadores que a apoiam, ao ministério da Cultura e ao município do Porto, a todos nos dirigimos para lavrar um seu a seu dono por via deste grito de protesto. Na convicção de que a falsidade, o corporativismo e o passadismo não encontrarão terreno fértil para medrar, queremos desde já deixar claro que não iremos dedicar mais tempo a alimentar conversas surdas com quem apenas procura criar ruído e desordem no seio da Instituição e do seu entorno. E queremos a todos assegurar a nossa firme intenção de prosseguir o caminho que definimos como desejável e suscetível de permitir o robustecimento de um projeto extraordinário e de rara beleza como aquele que desde o seu início marca a FCdM.

 

Porto, 13 de abril de 2022

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