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  • Em 1839, Richard Wagner decidia abandonar Riga onde dirigia óperas francesas e italianas no teatro de ópera da cidade. Tendo acumulado dívidas avultadas, partia com a sua primeira esposa, Christine Wilhelmine Planer, “Minna”, para Paris, do porto prussiano de Pillau e de forma clandestina. A longa viagem, com paragem em Londres, após uma tempestuosa e assustadora passagem marítima pelos fiordes noruegueses (posteriormente apontada como a inspiração para Der fliegende Holländer), terminaria com uma calorosa recepção de Meyerbeer que ouviu atentamente os esboços de Rienzi, que Wagner levara consigo, prometendo uma série de cartas de apresentação ao Director da Ópera de Paris. Contudo, os dois anos que passou em Paris seriam para Wagner de grande penúria e dificuldade, fazendo arranjos de excertos de óperas e alguma crítica musical, tentando sempre negociar a apresentação local das suas óperas. Ameaçado de prisão por dívidas acumuladas também em Paris e decepcionado com a sua experiência francesa, regressaria à terra natal no início de 1842. Em grande medida devido à influência de Meyerbeer, Rienzi acabava por ser apresentada no Hoftheater de Dresden. A estreia, com a duração de seis horas, teve lugar a 20 de Outubro de 1842 sob a direcção do maestro Karl Gottlieb Reißiger e gozou de imenso sucesso, indo ao encontro do espírito revolucionário da época, das regras da Grand Opéra e do gosto do público por encenações espectaculares. Wagner permaneceria em Dresden nos seis anos que se seguiriam até ter de se exilar na Suíça na sequência da sua tomada de posição política aquando da Revolução de Dresden em 1849.

    Apesar de ser habitual considerar Der fliegende Holländer (O Holandês Voador ou O Navio Fantasma, 1841) como a primeira obra de características verdadeiramente wagnerianas, Rienzi, ópera em cinco actos, composta entre 1838 e 1840, a terceira ópera completada pelo compositor, reflecte já uma identidade musical bem definida, nomeadamente em comparação com Die Feen (As Fadas, 1834) e Das Liebesverbot (O Amor Proibido, 1836).

    O fascínio de Adolf Hitler por Rienzi, bem como a sua posse da partitura original entretanto desaparecida (provavelmente destruída aquando do bombardeamento do bunker do Führer), faz parte da história da obra.

    O libretto de Wagner tem por base a novela Rienzi, O Último dos Tribunos de Edward Bulwer-Lytton (1835) e a peça teatral de Mary Russel Mitford (1828) sobre o mesmo tema. A acção desenrola-se em Roma, em meados do século XIV, e narra a senda do patriótico tribuno romano Cola Rienzi, na sua tentativa de restaurar o carácter imperial de uma Roma em decadência, libertando a cidade do jugo da nobreza corrupta que a dirigia. Apesar do sucesso inicial, Rienzi acabaria por ser excomungado pelo Papa e, finalmente, apedrejado pela populaça juntamente com a sua irmã Irene, no Capitólio que é entretanto incendiado.

    A Abertura apresenta-se -nos como uma forma tradicional e é baseada nos temas da ópera. Abre num andamento lento, iniciado pelos trompetes e que anuncia um primeiro tema nas cordas, a “Prece pelo Povo de Rienzi”, de grande ênfase e lirismo. A peça prossegue à medida que toda a orquestra entra em cena, seguindo de algum modo um esquema clássico de exposição e reexposição temática, mas acenando à técnica do leitmotiv wagneriano. Uma coda de grande intensidade, baseada no tema da batalha, termina a abertura.


    Rosa Pauça Rocha Pinto, 2012

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