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  • As nove sinfonias que Gustav Mahler completou durante a vida, assim como o ciclo de “canções sinfónicas” intitulado Das Lied von der Erde (A Canção da Terra), constituem um dos conjuntos mais emblemáticos da tradição sinfónica ocidental e de uma certa linguagem musical fin de siècle, própria do Romantismo tardio e do início do Modernismo, marcado, geralmente, por enormes efectivos orquestrais que produzem sonoridades amplas e luxuriantes que jogam com algumas ousadias harmónicas mais modernistas.

    O poema sinfónico Totenfeier foi escrito em 1888 em Cassel, numa altura em que o compositor acabava também a sua primeira sinfonia, e acabou por ser utilizado, mais tarde e com algumas alterações, como primeiro andamento da sua Sinfonia nº 2, Ressurreição. Tratando-se de uma “cerimónia fúnebre” – uma grande marcha fúnebre em Dó menor –, parece natural que o espírito geral da música seja pessimista e sombrio. No entanto, o génio de Mahler está precisamente na ambiguidade que confere à música, mesmo nas secções mais funestas (e o tema da morte é um dos temas determinantes que atravessa toda a sua obra).

    A peça inicia-se com um tremolo assustador que dá lugar a um tema grave e quase colérico no registo grave, tema esse que será presença regular ao longo da narrativa musical. Um segundo tema, bem mais suave, de grande lirismo e de tonalidades por vezes pastorais (a natureza sendo outro tema determinante na obra de Mahler), vem depois amenizar o ambiente. É ao confronto ou à tensão criada por estas duas áreas temáticas, e às respectivas dimensões emocionais – do pesaroso ao redentor –, que assistimos de seguida. O subsequente desenvolvimento, amplo, leva a música a patamares de enorme intensidade. Note-se aqui o Dies Irae e o tema que, na sinfonia, será o da Ressurreição. Depois de uma curta reexposição, a peça termina com uma coda ambígua em termos harmónicos e em que a intensidade da música vai diminuindo progressivamente até que um derradeiro e violento solavanco conclua a peça, levando a música, de novo, para as profundezas.


    Francisco Sassetti, 2014

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