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  • Nascido em Helsínquia, em 1958, Magnus Lindberg foi aluno de Gérard Grisey em Paris, no início da década de 1980. Não admira, por isso, que a influência da corrente espectral se faça sentir na sua música. Logo o início de Kinetics no-lo demonstra, com uma sonoridade cintilante no registo agudo (00:00-01:20) que lembra passagens parecidas de Grisey e Murail (compare-se com Serendib: 04:55-05:40; e Le Temps et l’écume: 08:45-09:15). De modo mais geral, a exploração de grandes massas sonoras é outro ponto de contacto entre Lindberg e a música espectral.

    Mas Lindberg não é estritamente um compositor espectral. A sua música cruza influências múltiplas, algumas delas muito afastadas do espectralismo. Lindberg foi muito influenciado, por exemplo, pelas técnicas de composição seriais, em especial de compositores como Pierre Boulez e Milton Babbittas tais técnicas abstractas e matemáticas que os compositores espectrais rejeitavam. Lindberg foi também muito marcado pela espontaneidade do free-jazz; pela energia rítmica do rock; pela abordagem teatral de Vinko Globokar (compositor francês que foi também seu professor em Paris, ao mesmo tempo que Grisey); pela dramaturgia sinfónica de Witold Lutosławski; e, ainda, pelo sinfonismo monumental e lento do seu compatriota Jean Sibelius. Essas diferentes influências reflectem-se, aliás, de modos distintos nas diferentes fases da sua produção. A influência do free-jazz e do teatro musical, por exemplo, é mais visível nas suas primeiras obras, em especial na primeira metade da década de 1980como em Kraft (1985), obra orquestral de carácter frenético e violento, em que se detecta também a influência da música punk. A partir dos anos 90, por seu turno, Lindberg adopta um estilo mais sóbrio e apolíneo, num “certo gosto pelo equilíbrio da forma” que o próprio compositor caracterizou como uma forma de “classicismo”: a influência de Sibelius torna-se então mais evidenteespecialmente em obras como Aura (1992) ­, assim como a de outros compositores como Ravel.

    Kinetics é, de algum modo, uma obra intermédia entre essa fase selvagem inicial e a fase clássica (ou neoclássica) da maturidade. Composta entre a Suíça e a Finlândia, da Primavera de 1988 ao Inverno de 1989, a obra é uma espécie de estudo a nível da harmonia e do movimento (daí o título). Na sequência da introdução cintilante já referida, a que se segue um momento solista no trompete (01:20-01:30), vai-se aos poucos instalando o conjunto da orquestrauma orquestra gigante, que para além dos naipes habituais inclui ainda saxofone, sintetizador, piano e um arsenal gigantesco de percussão. Rapidamente a música adquire um carácter grandioso, alternando entre momentos mais rítmicos e agressivos e outros mais contemplativos e harmónicos.


    Daniel Moreira, 2020

    Gravação disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Asrb-9F5_ow.

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