Error loading MacroEngine script (file: artista-header.cshtml)
  • Partita foi um termo que se generalizou no período Barroco e que se aplicava a obras divididas em diferentes partes, nomeadamente as variações e as suites. No caso das três partitas para violino solo de Bach (1685-1750) a estrutura é a da suite, um conjunto de danças contrastantes na mesma tonalidade, não seguindo estas um número de andamentos idêntico nem tão pouco compilações de ritmos semelhantes.

    A Partita em Ré menor BWV 1004, composta por volta do ano de 1720, é a que tem menor número de andamentos, apenas cinco, mas é a mais extensa das três que compõem o grupo. Esse facto advém de incluir a célebre Chaconne, uma peça com uma duração de cerca de catorze minutos. No geral segue o modelo da suite francesa – Allemande-Courante-Sarabande-Giga –, ao qual Bach acrescenta a referida Chaconne.

    Na escrita para violino solo, Bach consegue simular a polifonia num instrumento essencialmente melódico jogando com a percepção do ouvido humano. Na memória ficam os sons que se acabaram de escutar e, sem ter disso consciência, o ouvinte introdu-los como estrutura harmónica dos sons que está a ouvir. Desta forma genial, Bach cria a perfeita ilusão da polifonia que será explorada ao máximo requinte na Chaconne. Nos primeiros quatro compassos, apresenta um baixo que serve de base para toda a peça, em forma de variações. Estas são de uma grande invenção e nunca se tornam repetitivas, ultrapassando largamente a imaginação dos compositores posteriores do período Clássico. No seu desenrolar destacam-se a passagem ao modo maior e o regresso a Ré menor, atravessando uma grande panóplia de sentimentos opostos. A Chaconne é considerada o desafio supremo do repertório para violino solo e, por isso, é muitas vezes interpretada como obra independente obscurecendo por completo o mérito das restantes danças.

    O virtuoso italiano Ferrucio Busoni (1866-1924), pianista que se apresentou em recital na cidade do Porto no início do século XX, foi um dos maiores intérpretes da obra de Bach no seu tempo. Para além dos originais de Bach, Busoni transcreveu para piano a solo muitos originais de Bach para outros instrumentos e para coro. Uma das transcrições mais célebres e indiscutivelmente a mais tocada por pianistas é a Chaconne. O desafio de manter o grau de virtuosismo do original para violino numa versão para piano resultou num crescendo na textura harmónica e polifónica muito considerável, alcançando uma dimensão sinfónica e bravura acrescidas mas que, no entanto, se mantém fiel à estrutura do original. Esta transcrição alcançou tamanha fama que algumas pessoas julgavam que o nome do pianista e compositor era Bach-Busoni. Existe também uma versão para piano de Brahms, escrita exclusivamente para a mão esquerda, que resulta numa transposição quase directa da versão de Bach.


    Rui Pereira, 2014

x
A Fundação Casa da Música usa cookies para melhorar a sua experiência de navegação, a segurança e o desempenho do website. A Fundação pode também utilizar cookies para partilha de informação em redes sociais e para apresentar mensagens e anúncios publicitários, à medida dos seus interesses, tanto na nossa página como noutras. Para obter mais informações ou alterar as suas preferências, prima o botão "Política de Privacidade" abaixo.

Para obter mais informações sobre cookies e o processamento dos seus dados pessoais, consulte a nossa Política de Privacidade e Cookies.
A qualquer altura pode alterar as suas definições de cookies através do link na parte inferior da página.

ACEITAR COOKIES POLÍTICA DE PRIVACIDADE