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  • 1. Allegro sostenuto

    2. Adagio

    3. Allegro

     

    Sergei Prokofieff (1891-1953)compôs o seu segundo Quarteto de cordas entre 2 de Novembro e 3 de Dezembro de 1941, num dos períodos mais negros da União Soviética: Hitler invadira o país a 22 de Junho desse ano e nesses primeiros meses Moscovo esteve em sério risco de cair às mãos dos nazis. Foi nesse contexto que, no dia 8 de Agosto, Prokofieff e outros músicos eminentes (como Miaskovski) foram evacuados de Moscovo e levados para Nalchik, capital da República Autónoma da Cabárdia-Balcária (no Cáucaso), onde permaneceria três meses (a 20 de Novembro seria de novo evacuado, para mais longe ainda: Tbilisi, na Geórgia).

    Neste período de três meses, Prokofieff compôs profusamente, e quase sempre em relação directa com o esforço de guerra: a ópera Guerra e Paz (de que compôs metade nestes três meses) abordava o período das invasões napoleónicas, tendo, por isso, um evidente paralelo histórico com o momento presente; escreveu ainda várias canções explicitamente destinadas a dar ânimo ao exército e povo soviéticos; e completou a suite orquestral O Ano de 1941. Já o Quarteto n.º 2 resulta de uma sugestão do Delegado Cultural de Nalchik, aos compositores lá evacuados, no sentido de comporem música baseada no folclore local. A ideia entusiasmou Prokofieff, para quem “a combinação deste folclore autêntico oriental, ainda virgem, com a mais clássica das formas instrumentais que é o quarteto de cordas, deveria dar resultados interessantes e inesperados”.

    Assim, o primeiro andamento, de carácter vigoroso e “lançado com uma crueza deliberada, quase insolente” (Daniel Jaffé, Sergey Prokofiev), baseia-se numa dança cabardina e numa canção local alusiva a uma personagem da mitologia caucasiana; o segundo, mais gentil e melodioso, tem evidentes traços orientais, baseando-se numa dança muito conhecida na região; o terceiro, muito rítmico e incisivo, evoca uma vigorosa dança de montanha.

    A estreia da obra teve lugar em Moscovo, a 5 de Setembro de 1942, tendo a execução sido atrasada por um bombardeamento aéreo germânico. Talvez isso tenha reforçado, nalguns críticos, a impressão de que se tratava de uma música violenta, crua, como que se retratasse aquele momento histórico; mas essa crueza era também uma forma de Prokofieff permanecer autêntico às fontes folclóricas, numa estética primitivista próxima da evocação de rituais pagãos ancestrais que fizera, em 1915, na sua Suite Cita.

     


    Daniel Moreira, 2016 

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